A popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atingiu o ponto mais baixo desde o início de seu segundo mandato. De acordo com levantamento realizado pela Reuters em parceria com o instituto Ipsos, apenas 34% dos americanos aprovam o desempenho de Trump à frente do governo — uma queda em relação aos 36% registrados em meados de abril de 2025. Os dados revelam um cenário de crescente insatisfação popular, impulsionado por dois fatores centrais: o aumento do custo de vida e as tensões militares com o Irã.
Entre os temas que mais pesam negativamente na avaliação do presidente, o custo de vida se destaca como o principal ponto de atrito entre o governo e a população. A aprovação específica sobre a condução das políticas econômicas que afetam o bolso dos americanos caiu de 25% para apenas 22% entre as duas pesquisas. Esse índice reflete uma insatisfação crescente com o encarecimento de produtos, serviços e a percepção de que a administração não tem conseguido controlar a pressão inflacionária que ainda assola as famílias americanas.
O custo de vida nos Estados Unidos permanece uma questão sensível para a população desde o período pós-pandemia. Apesar de a inflação ter recuado em relação aos picos históricos registrados em 2022 e 2023, o nível de preços ainda é significativamente mais alto do que o praticado antes da crise sanitária global. Itens básicos como alimentos, habitação e energia continuam pesando no orçamento das famílias, especialmente das classes média e baixa, que sentem de forma mais intensa o impacto das variações de preços.
As políticas comerciais adotadas por Trump também contribuem para o clima de incerteza econômica. A imposição de tarifas sobre importações — parte central da agenda protecionista do presidente — tem gerado preocupações entre economistas e empresários sobre o potencial encarecimento de produtos no mercado doméstico. Críticos argumentam que as tarifas funcionam, na prática, como um imposto pago pelo consumidor americano, elevando os preços de bens de consumo importados e pressionando ainda mais o custo de vida.
Além das questões econômicas, a guerra com o Irã emerge como outro fator determinante na queda de aprovação de Trump. O conflito, que escalou nos últimos meses, gerou divisão entre a população americana. Parte dos cidadãos questiona a necessidade e os custos humanos e financeiros do envolvimento militar no Oriente Médio, enquanto outra parcela teme as consequências geopolíticas de uma eventual desescalada sem resultados concretos. Guerras e conflitos externos historicamente impactam a popularidade dos presidentes americanos, especialmente quando os efeitos se fazem sentir na economia doméstica — seja pelo aumento dos gastos militares, seja pelo impacto nos preços de combustíveis e commodities.
A queda nos índices de aprovação não é, por si só, uma novidade para Trump. Ao longo de seu primeiro mandato (2017-2021), o republicano conviveu com níveis de aprovação consistentemente baixos para os padrões históricos da presidência americana. No entanto, o fato de o índice atual representar o ponto mais baixo do segundo mandato — iniciado em janeiro de 2025 — acende um sinal de alerta para a Casa Branca, especialmente considerando que as eleições de meio de mandato para o Congresso se aproximam no horizonte político.
O impacto eleitoral dessas pesquisas pode ser significativo. Com a Câmara dos Representantes e o Senado na mira dos dois principais partidos, a popularidade presidencial costuma influenciar diretamente o desempenho dos candidatos alinhados ao governo. Um presidente com aprovação baixa tende a ser um peso para os candidatos de seu partido em disputas acirradas, o que pode complicar a agenda legislativa de Trump nos próximos anos.
O levantamento também evidencia a complexidade do momento político americano. Trump mantém base fiel entre eleitores republicanos e conservadores, mas enfrenta dificuldades em ampliar seu apelo além desse núcleo. Independentes e moderados — grupos cruciais para vitórias eleitorais nos chamados estados-pêndulo — demonstram crescente resistência às políticas do atual governo, segundo indicam diversas pesquisas recentes.
Para o governo Trump, o desafio imediato é encontrar formas de reverter a percepção negativa sobre sua gestão econômica sem abrir mão das políticas protecionistas que são parte central de sua identidade política. Ao mesmo tempo, a condução do conflito com o Irã precisará ser comunicada de forma mais eficaz para convencer a população de que os riscos valem os potenciais benefícios estratégicos. A combinação de pressão econômica interna e instabilidade geopolítica externa cria um ambiente desafiador para qualquer governo, e o de Trump não é exceção.
Fonte: G1 / Globo — Pesquisa Reuters/Ipsos, abril de 2025.
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