O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, que vai retirar tarifas e restrições que dificultam o comércio de uísque entre a Escócia e o estado americano de Kentucky, principal região produtora de bourbon nos EUA. A declaração foi feita pelo republicano em sua rede social Truth Social e gerou repercussão imediata nos dois lados do Atlântico.

A decisão foi tomada logo após a visita oficial do rei Charles III e da rainha Camilla aos Estados Unidos. Durante a passagem pelo país, o monarca britânico realizou um discurso histórico no Congresso americano, em um gesto de aproximação diplomática entre Washington e Londres que chamou atenção do mundo inteiro.

Em sua publicação, Trump deixou claro o motivo sentimental por trás da medida. “Em homenagem ao Rei e à Rainha do Reino Unido, que acabam de deixar a Casa Branca e em breve retornam ao seu maravilhoso país”, escreveu o presidente. Ele ainda acrescentou, com seu estilo característico: “O Rei e a Rainha me fizeram fazer algo que ninguém mais conseguiu, praticamente sem nem pedir!”

Trump justificou a mudança também com argumentos econômicos e comerciais. Segundo ele, há um grande fluxo histórico de comércio entre os dois países no setor, especialmente no que diz respeito aos barris de madeira utilizados no processo de envelhecimento das bebidas. O bourbon americano é tradicionalmente envelhecido em barris novos de carvalho carbonizado, e após o uso, esses barris são frequentemente exportados para a Escócia, onde servem para envelhecer o uísque escocês, conferindo sabores únicos à bebida.

Para entender o contexto, é importante distinguir os dois produtos. O uísque é o nome genérico dado a destilados de grãos produzidos em diferentes países, como Escócia, Irlanda, Japão e Estados Unidos. Já o bourbon é um tipo específico de uísque americano, fabricado com pelo menos 51% de milho e obrigatoriamente envelhecido em barris novos de carvalho carbonizado. A interdependência entre as indústrias das duas regiões vai além da competição — há uma cadeia produtiva compartilhada que une as destilarias escocesas e americanas.

O cenário tarifário entre os dois países já havia passado por mudanças em 2025, quando Estados Unidos e Reino Unido assinaram um acordo que permitia a Washington cobrar uma tarifa básica de 10% sobre a maioria dos produtos importados britânicos. Com o novo anúncio de Trump, espera-se que parte dessas tarifas seja reduzida ou eliminada especificamente para o setor de bebidas destiladas.

A notícia foi recebida com alívio pela indústria. Segundo a BBC, representantes das destilarias afirmaram que o setor poderá “respirar um pouco mais aliviado em um período de forte pressão”. As tarifas impostas nos últimos anos pelo governo americano haviam criado incerteza considerável para produtores escoceses que dependem do mercado norte-americano como um de seus principais destinos de exportação.

O uísque escocês, conhecido mundialmente como Scotch Whisky, é um dos produtos de exportação mais valiosos do Reino Unido. O mercado americano é historicamente um dos maiores compradores dessa bebida no mundo, tornando qualquer variação tarifária especialmente sensível para as destilarias da Escócia. Estima-se que bilhões de dólares em negócios sejam movimentados anualmente nesse segmento específico.

Do lado americano, Kentucky também sai ganhando. O estado é o coração da produção de bourbon nos EUA, e qualquer facilitação no comércio de barris e insumos com a Escócia tende a reduzir custos e ampliar oportunidades para os produtores locais. O governador e líderes industriais do estado receberam a notícia com entusiasmo.

A decisão de Trump ilustra como a diplomacia pessoal pode influenciar diretamente políticas comerciais. A visita do casal real britânico foi marcada por forte simbolismo e gerou um clima de boa vontade que, aparentemente, se traduziu em concessões concretas na área econômica. Especialistas em relações internacionais observam que este tipo de gesto pode abrir caminho para negociações mais amplas entre Washington e Londres sobre outros setores comerciais.

O anúncio também reflete a postura imprevisível de Trump em relação às tarifas — uma das marcas registradas de seu segundo mandato. Ao mesmo tempo em que mantém pressão sobre parceiros comerciais em diversas frentes, o presidente demonstrou disposição para flexibilizar medidas quando há motivações políticas ou pessoais relevantes envolvidas.

O novo capítulo na relação comercial entre EUA e Reino Unido deve ser formalizado nas próximas semanas, quando os detalhes técnicos da suspensão tarifária forem publicados. Enquanto isso, destilarias dos dois lados do Atlântico aguardam com expectativa a implementação efetiva das mudanças anunciadas pelo presidente americano.

Fonte: G1 – Globo