Às vésperas do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) divulgou uma mensagem oficial em homenagem a jornalistas e veículos de comunicação de diversas partes do mundo. O comunicado ressalta o papel fundamental do jornalismo para a democracia, o Estado de Direito e a garantia dos direitos humanos em sociedades abertas.

O presidente da AIR, Paulo Tonet Camargo, destacou que profissionais da imprensa continuam atuando com coragem, independência e compromisso com a liberdade, mesmo diante de cenários cada vez mais adversos em diferentes regiões do planeta. A mensagem serve como um alerta para a comunidade internacional sobre os riscos crescentes que jornalistas enfrentam no exercício de sua profissão.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi instituído pelas Nações Unidas (ONU) com base na Declaração de Windhoek, um documento histórico aprovado em 1991 durante um seminário de jornalistas africanos em Windhoek, na Namíbia. O texto defendia a criação de uma imprensa livre, independente e pluralista no continente africano, e seu alcance foi gradualmente ampliado para o contexto global. Desde então, o dia 3 de maio tornou-se um marco internacional para refletir sobre os desafios e avanços do jornalismo ao redor do mundo.

No comunicado, a AIR enfatiza que a liberdade de expressão não deve ser compreendida como um privilégio restrito a jornalistas ou empresas de comunicação, mas como um direito fundamental de toda a sociedade, consagrado no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Segundo a entidade, uma imprensa livre, plural e independente é condição essencial para o funcionamento da democracia e para a preservação do Estado de Direito em qualquer nação.

A associação também voltou sua atenção para a responsabilidade dos governos nesse cenário. Para a AIR, cabe aos Estados garantir ativamente a segurança dos profissionais de imprensa e combater práticas que ameaçam o exercício do jornalismo, como censura, intimidação e violência. O comunicado é categórico ao afirmar que, hoje mais do que nunca, é necessário reafirmar o dever dos governos de proteger os jornalistas e evitar qualquer forma de repressão à atividade jornalística.

Dados de organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa, como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), apontam que o ambiente global para o jornalismo se deteriorou nas últimas décadas. Jornalistas são frequentemente alvos de ataques físicos, processos judiciais abusivos, assédio digital e até assassinatos em regiões de conflito ou países com regimes autoritários. Esse contexto torna ainda mais urgente a mobilização de entidades como a AIR em prol da proteção desses profissionais.

A AIR também defendeu o fortalecimento do jornalismo independente como um pilar para o acesso da população a informações diversas, confiáveis e livres de interferências políticas ou econômicas. Para a entidade, o livre fluxo de informações é um elemento essencial para o funcionamento de sociedades democráticas e abertas, permitindo que os cidadãos tomem decisões informadas e exerçam sua cidadania de forma plena.

O papel das associações internacionais de radiodifusão é cada vez mais relevante nesse contexto. Ao reunir emissoras e veículos de comunicação de diferentes países, a AIR cria um espaço de solidariedade e cooperação para defender padrões mínimos de liberdade e segurança para jornalistas em escala global. A entidade atua também como interlocutora junto a organismos multilaterais, pressionando governos e instituições internacionais a adotarem políticas mais robustas de proteção à imprensa.

No Brasil, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa também é marcado por debates sobre o ambiente para o jornalismo no país. Organizações nacionais e internacionais acompanham de perto episódios de ameaças a repórteres, bloqueios de acesso à informação e pressões sobre veículos de comunicação, o que coloca o tema em evidência tanto no cenário doméstico quanto no internacional.

A mensagem da AIR encerra com um apelo à solidariedade global: proteger jornalistas é proteger a democracia. Quando profissionais de imprensa são silenciados, é a sociedade inteira que perde o acesso à verdade e à pluralidade de vozes necessárias para o debate público saudável. A data, portanto, vai além de uma homenagem — é um chamado à ação para governos, instituições e cidadãos em todo o mundo.

Fonte: G1 – Globo