O Brasil criou 85.888 empregos formais com carteira assinada em abril de 2026, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quinta-feira, 28 de maio, pelo Ministério do Trabalho e do Emprego. O resultado foi obtido a partir de 2,2 milhões de contratações registradas no mês, contra 2,1 milhões de demissões, e demonstra que o mercado de trabalho formal brasileiro manteve trajetória positiva, embora em ritmo inferior ao observado no mesmo período do ano anterior.

O saldo de abril de 2026 representa um recuo expressivo em relação a abril de 2025, quando foram criados 238.216 novos postos de trabalho formal. A diferença aponta para uma desaceleração no ritmo de geração de empregos no comparativo anual, fenômeno que pode refletir tanto fatores sazonais quanto mudanças no ciclo econômico doméstico. O Caged, vale lembrar, registra apenas trabalhadores com vínculo empregatício formal, não contemplando os trabalhadores informais, o que o torna um retrato parcial — porém preciso — do mercado de trabalho regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Entre os cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas monitorados pelo Ministério do Trabalho e do Emprego, três apresentaram saldos positivos em abril. O setor de serviços liderou a geração de postos, com 69 mil novos empregos, seguido pela construção civil, com 23 mil vagas, e pela indústria, com 9 mil. Em contrapartida, o comércio e a agropecuária registraram desempenho negativo, com redução de 8 mil postos cada um. O fraco resultado da agropecuária pode estar relacionado à sazonalidade típica do período, que costuma influenciar o fluxo de contratações e desligamentos no campo.

Do ponto de vista regional, o mercado formal mostrou ampla distribuição geográfica dos resultados positivos: 24 das 27 unidades federativas registraram saldo favorável em abril. A região Sudeste concentrou a maior parte dos novos postos, com 44.545 empregos criados, impulsionada principalmente por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os estados de melhor desempenho no mês. O Nordeste gerou 18.714 vagas, o Centro-Oeste, 10.890, o Norte, 6.651, e o Sul, 4.449. Os únicos estados com resultado negativo foram Alagoas, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte.

O Ministério do Trabalho e do Emprego também informou que o salário médio de admissão em abril de 2026 foi de R$ 2.386,56, valor ligeiramente superior ao de março de 2026, que havia sido de R$ 2.369,88. Em relação a abril de 2025, descontadas as sazonalidades, o salário médio de admissão cresceu R$ 42,21, indicando uma leve recuperação real da remuneração no momento da contratação formal.

É importante ressaltar que os dados do Caged não são diretamente comparáveis aos indicadores de desemprego apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), metodologia que abrange também trabalhadores informais e outras categorias fora do regime CLT. Segundo dados oficiais do IBGE, a taxa de desocupação brasileira encerrou 2025 em 5,6%, o menor patamar já registrado pela série histórica da pesquisa, refletindo um mercado de trabalho em expansão ao longo do ano passado.

A geração de empregos formais em abril de 2026, ainda que inferior à registrada no mesmo mês do ano anterior, reforça a tendência de resiliência do mercado de trabalho brasileiro observada nos últimos anos. O desempenho do setor de serviços como principal motor de contratações segue um padrão estrutural da economia nacional, enquanto o comportamento do comércio e da agropecuária neste mês demandará acompanhamento nos próximos relatórios para avaliar se reflete movimentos passageiros ou uma inflexão mais duradoura no ritmo de criação de postos nesses segmentos.