O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) — o principal banco público de fomento do Brasil, responsável por financiar projetos de grande porte — aprovou uma operação de crédito para que a Embraer exporte até 19 jatos do modelo E195-E2 para a companhia aérea canadense Porter Aviation Holdings Inc. O valor total da operação varia entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,7 bilhões, dependendo da quantidade exata de aeronaves entregues dentro do acordo. Em termos simples: o banco público brasileiro vai emprestar dinheiro para que uma empresa estrangeira possa comprar aviões fabricados aqui no país.

O E195-E2 é um jato comercial de médio porte produzido pela Embraer em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Ele pertence à família E-Jet E2, a versão mais moderna e eficiente em consumo de combustível da linha regional da fabricante brasileira. A Porter Airlines, companhia aérea canadense, utiliza esse modelo para conectar destinos no Canadá, nos Estados Unidos, no México, no Caribe e na América Central — ou seja, trata-se de um avião com alcance e capacidade adequados para rotas de média distância no continente americano.

Por que esse negócio importa agora? Porque se trata de um marco histórico: é a primeira vez que o BNDES realiza uma operação de financiamento direto à exportação de aeronaves da Embraer para uma companhia sediada no Canadá. Isso abre um precedente relevante para futuras vendas da fabricante naquele mercado e reforça a competitividade internacional dos produtos brasileiros de alta tecnologia, um segmento que agrega muito valor à economia nacional.

Como funciona esse tipo de financiamento na prática? O mecanismo é chamado de financiamento à exportação, e funciona assim: a Embraer vende os aviões a prazo para a Porter, mas recebe o pagamento à vista — o BNDES é quem antecipa esse valor. A partir daí, a companhia canadense passa a ser devedora do banco brasileiro, pagando a dívida diretamente ao BNDES ao longo do tempo. Para ser elegível a esse tipo de operação, o valor mínimo de cada financiamento é de R$ 40 milhões, o que evidencia que o mecanismo é desenhado para grandes negócios internacionais.

Mas e a segurança dessa operação? Para cobrir o risco de eventual inadimplência — ou seja, o risco de a empresa estrangeira não pagar a dívida — o financiamento conta com a cobertura do Seguro de Crédito para a Exportação, um instrumento gerido pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e operado pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF). Em termos práticos, esse seguro funciona como uma garantia do governo federal para proteger o Brasil em caso de calote no exterior.

O que significa esse negócio em números? Os 19 jatos financiados agora fazem parte de uma encomenda global muito maior: a Porter Aviation Holdings fez um pedido total de 75 aeronaves à Embraer, dentro de um plano de expansão iniciado em 2023. Das 75 unidades encomendadas, 54 já foram entregues, incluindo três jatos viabilizados por um acordo direto firmado com o BNDES no fim de 2025. A entrega mais recente ocorreu em junho deste ano, na própria fábrica em São José dos Campos. As entregas previstas no acordo atual se estendem até 2030.

Por que isso afeta você, brasileiro? O acordo tem impacto direto na geração de empregos e na manutenção do ritmo de produção da fábrica da Embraer no Vale do Paraíba. O próprio BNDES declarou que o aporte financeiro tem como objetivo sustentar a produção nacional e assegurar postos de trabalho no setor aeronáutico do país. A Embraer é uma das maiores exportadoras de manufaturados do Brasil e já acumula mais de 9 mil aeronaves entregues ao longo de sua história — o que coloca a empresa entre as maiores fabricantes de aviões comerciais do mundo.

Qual é o próximo passo? O horizonte de entregas previsto vai até 2030, o que garante uma perspectiva de longo prazo para a fábrica em São José dos Campos. Para a Embraer, consolidar a presença no mercado canadense por meio de um financiamento pioneiro pode abrir portas para novos contratos com outras companhias daquele país ou da região. Para o Brasil, operações como essa reforçam a importância de instrumentos públicos de apoio às exportações de produtos de alto valor tecnológico como forma de fortalecer a indústria nacional e gerar divisas para a economia do país.