Você já se perguntou por que alguns investidores parecem ganhar dinheiro mesmo quando o mercado despenca? A resposta está em estratégias que, ao contrário das aplicações tradicionais, não dependem de uma única direção do mercado para gerar retorno. Segundo reportagem do Money Times, há abordagens que literalmente “se alimentam de volatilidade”, permitindo buscar lucros tanto em períodos de alta quanto de baixa — e períodos eleitorais, historicamente agitados, tornam esse tipo de estratégia especialmente relevante.

O que é exatamente volatilidade? O termo descreve a intensidade e a frequência das oscilações de preço de um ativo ao longo do tempo. Quando o mercado é volátil, os preços sobem e caem de forma acentuada e rápida. Para a maioria dos investidores, essa instabilidade é sinônimo de risco e desconforto. Para quem utiliza estratégias especialmente desenhadas para capturar essas oscilações, porém, a volatilidade deixa de ser inimiga e passa a ser a própria matéria-prima do ganho.

Por que períodos eleitorais criam esse ambiente? Eleições geram incerteza sobre políticas econômicas, fiscal e monetária do país. Essa incerteza se traduz, quase inevitavelmente, em movimentos bruscos nos mercados financeiros: moedas oscilam, bolsas reagem a pesquisas e resultados, e ativos de renda variável podem registrar variações expressivas em questão de horas. É exatamente nesse ambiente de turbulência que estratégias baseadas em volatilidade encontram seu melhor terreno de atuação.

Como essas estratégias funcionam na prática? De modo geral, elas se valem de instrumentos financeiros derivativos — contratos cujo valor é derivado do comportamento de outro ativo, como ações, índices ou moedas. Entre os mais utilizados estão as opções (contratos que dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo a um preço pré-determinado) e os contratos futuros. Determinadas combinações de opções, por exemplo, permitem ao investidor lucrar quando há um movimento forte de preço, independentemente de esse movimento ser para cima ou para baixo. O lucro vem do tamanho da oscilação, não da sua direção.

O que significa o potencial de ganho citado? A reportagem menciona que investidores buscaram ganhos de até 586% utilizando esse tipo de abordagem durante períodos de volatilidade eleitoral. É fundamental entender que esse número representa um potencial observado em operações específicas, em condições de mercado particulares, e não um retorno garantido ou típico. Estratégias de alta complexidade podem tanto amplificar ganhos quanto amplificar perdas. O risco é proporcional à alavancagem (uso de capital emprestado ou de estruturas que expõem o investidor a valores maiores do que o capital investido) envolvida na operação.

Por que isso importa para o investidor comum? Mesmo que você não pretenda operar com derivativos, compreender que existem estratégias capazes de lucrar em qualquer direção do mercado muda a forma como você interpreta os movimentos dos preços. Enquanto o noticiário político agita os mercados, parte dos participantes está deliberadamente posicionada para se beneficiar dessa agitação. Isso influencia a liquidez (a facilidade de comprar e vender ativos) e até os próprios preços dos ativos que compõem uma carteira mais conservadora.

Quais são os riscos que você precisa conhecer? Estratégias baseadas em volatilidade exigem conhecimento técnico aprofundado, monitoramento constante das posições e, muitas vezes, acesso a plataformas e instrumentos que nem sempre estão disponíveis ao investidor de varejo sem assessoria especializada. Além disso, se a volatilidade esperada não se materializar — ou seja, se o mercado ficar parado quando a estratégia apostou em movimento forte —, a posição pode gerar prejuízo. O chamado “decaimento do tempo” nas opções, por exemplo, corrói o valor desses contratos à medida que a data de vencimento se aproxima sem o movimento esperado.

Como você pode se preparar para cenários de alta volatilidade? O primeiro passo é entender o perfil de risco da sua própria carteira e como ela reage a oscilações bruscas do mercado. Diversificação entre classes de ativos — ações, renda fixa, câmbio, ativos reais — é uma das formas mais acessíveis de reduzir a exposição a choques pontuais. Para quem deseja ir além, buscar educação financeira específica sobre derivativos e contar com orientação profissional regulamentada são caminhos mais seguros antes de adotar qualquer estratégia baseada em volatilidade.

Em um cenário global de eleições frequentes e incertezas econômicas persistentes, a habilidade de navegar — ou até aproveitar — a volatilidade tende a se tornar cada vez mais valorizada no universo dos investimentos. Compreender os mecanismos por trás dessas estratégias é o primeiro passo para tomar decisões mais conscientes, seja para proteger o patrimônio existente, seja para avaliar com olhar crítico as oportunidades que surgem nos momentos de maior turbulência nos mercados.