O preço médio do diesel S-10 nos postos brasileiros subiu 2,3% na semana encerrada sexta-feira (18), atingindo R$ 7,13 por litro, o maior valor desde o fim de maio, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A alta acompanha a disparada dos preços internacionais do petróleo e de seus derivados neste mês, impulsionada por novos riscos geopolíticos. O mercado global de energia enfrenta tensões decorrentes dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, que elevam a incerteza sobre a oferta mundial de combustíveis.

A escalada do diesel ocorre após um período em que o combustível chegou a ser mais barato que a gasolina, entre 2 de agosto e 12 de setembro. Com o movimento recente, a relação de preços se inverteu novamente. O levantamento da ANP reflete o preço médio coletado em milhares de postos e serve de referência para o mercado. O valor de R$ 7,13 representa um acréscimo de aproximadamente R$ 0,16 em relação à semana anterior, consolidando a tendência de alta que acompanha o cenário externo.

A Petrobras anunciou um aumento de R$ 1 por litro no preço de venda do diesel A para as distribuidoras. Segundo reportagem do g1, porém, o reajuste foi neutralizado por um subsídio do governo federal de igual valor, aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dessa forma, o preço cobrado pela estatal permaneceu inalterado na prática. O benefício foi autorizado por uma medida provisória (MP) que concede subvenção de R$ 1 por litro, com validade de 30 dias.

O novo subsídio se soma a outro já em vigor, de R$ 1,12 por litro, que vigora até 26 de setembro. Durante o período de sobreposição das duas medidas, o valor total da subvenção ao diesel chegará a R$ 2,12 por litro. A combinação visa conter a alta dos preços aos consumidores finais, mas impõe um custo fiscal significativo. A MP assinada por Lula também autoriza gastos de R$ 6,6 bilhões para manter subsídios à produção e importação de combustíveis, em resposta à pressão gerada pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O governo federal publicou a medida provisória no Diário Oficial da União, detalhando a destinação dos recursos. O montante de R$ 6,6 bilhões reforça a estratégia de segurar os preços internos, mesmo com o petróleo em patamares elevados no mercado internacional. A medida reflete a dependência brasileira de importação de derivados e a necessidade de mitigar o impacto sobre a inflação e a atividade econômica. A ANP acompanha semanalmente os preços nos postos, e a próxima coleta deve indicar se a alta continuará.

Os subsídios governamentais funcionam como um mecanismo para evitar que a totalidade dos aumentos internacionais seja repassada ao consumidor. Na prática, a União arca com a diferença entre o preço de importação e o valor cobrado pela Petrobras às distribuidoras. Esse modelo, no entanto, gera pressão fiscal e pode distorcer sinais de mercado. Economistas apontam que, embora alivie o bolso do consumidor no curto prazo, a manutenção prolongada de subsídios eleva o endividamento público e pode criar expectativas de novas intervenções.

O cenário internacional continua volátil. A oferta global de petróleo vem sendo afetada por sanções, ataques a infraestruturas e ameaças de bloqueios no Estreito de Ormuz. A guerra entre Rússia e Ucrânia segue pressionando os preços do gás e do petróleo. No Oriente Médio, a escalada do conflito entre Israel e Irã elevou o risco de interrupções no fornecimento, o que tende a manter os preços elevados. A dependência brasileira de importação de diesel torna o país vulnerável a essas oscilações externas.

No histórico recente, os preços dos combustíveis no Brasil oscilaram fortemente. Entre 2024 e 2026, a política de paridade internacional de preços (PPI) foi abandonada e retomada em diferentes momentos, gerando instabilidade. O governo Lula optou por uma atuação mais ativa, com subsídios temporários, para conter a inflação. Entretanto, a medida provisória que autoriza os gastos tem prazo determinado, e o fim dos benefícios pode expor o mercado a reajustes mais bruscos, caso os preços internacionais não cedam.

Para os próximos meses, a evolução do conflito no Oriente Médio será determinante. Se houver desescalada, a pressão sobre o petróleo pode diminuir, aliviando a necessidade de novos subsídios. Caso contrário, o governo federal poderá ser forçado a estender as medidas ou permitir reajustes, com impacto direto sobre o custo do transporte, do agronegócio e da logística. O diesel é um insumo essencial para a economia brasileira, e qualquer alta reflete em cadeia sobre preços de alimentos, serviços e transporte público.

O reajuste de 2,3% registrado pela ANP já é um sinal de que, apesar dos subsídios, o mercado não consegue absorver integralmente a alta internacional. A combinação de subvenções temporárias e volatilidade geopolítica cria um cenário de incerteza. O próximo relatório da ANP, na semana seguinte, indicará se a tendência de alta se consolida ou se os subsídios conseguem segurar o avanço. Por ora, o consumidor brasileiro enfrenta um diesel mais caro, em meio a um contexto global de riscos energéticos elevados.