A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou, na sexta-feira (24 de abril), que a bandeira tarifária para o mês de maio será amarela. A mudança representa um acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos na conta de energia elétrica dos brasileiros, após quatro meses consecutivos com a bandeira verde, que não gera cobrança adicional.

A decisão reflete uma piora nas condições de geração de energia no país. Segundo a própria Aneel, o principal fator que motivou a mudança foi a redução das chuvas durante a transição entre o período chuvoso e o período seco. Com menos água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, o sistema elétrico precisa recorrer às usinas termelétricas para complementar a geração, e essas plantas têm um custo operacional significativamente mais elevado.

De janeiro a abril deste ano, a bandeira tarifária havia permanecido na cor verde, indicando que os reservatórios das hidrelétricas estavam em níveis satisfatórios e que não havia necessidade de acionar fontes complementares mais caras. Com a chegada do período de estiagem, esse cenário começa a se inverter, e o sistema de bandeiras funciona justamente para repassar ao consumidor o custo real da geração de energia em tempo real.

O sistema de bandeiras tarifárias foi criado pela Aneel para dar transparência ao setor elétrico e incentivar o consumo consciente de energia. Funciona como um semáforo: quando as condições de geração são favoráveis, a bandeira é verde e não há cobrança extra. À medida que a situação se deteriora — seja por falta de chuvas, calor excessivo ou aumento da demanda —, as bandeiras vão evoluindo para cores que representam custos adicionais crescentes.

A tabela completa de tarifas adicionais funciona da seguinte forma: a bandeira verde não gera custo extra ao consumidor; a bandeira amarela acrescenta R$ 18,85 por megawatt-hora (MWh) consumido, equivalente a R$ 1,88 a cada 100 kWh; a bandeira vermelha patamar 1 implica uma cobrança de R$ 44,63 por MWh (ou R$ 4,46 a cada 100 kWh); e a bandeira vermelha patamar 2, a mais grave, representa um acréscimo de R$ 78,77 por MWh (ou R$ 7,87 a cada 100 kWh).

Para um consumidor residencial que utiliza, por exemplo, 300 kWh por mês — o que é bastante comum em residências brasileiras de médio porte —, a bandeira amarela representará um acréscimo de aproximadamente R$ 5,64 na conta do mês de maio. Embora o valor individual possa parecer pequeno, o impacto agregado para toda a população consumidora é considerável, especialmente em um contexto de inflação ainda pressionada e renda real sob pressão.