Você já se perguntou por que, mesmo com o Brasil avançando em educação e distribuição de renda nos últimos anos, certas desigualdades parecem não ceder? Um novo estudo responde essa pergunta com números concretos — e os resultados são difíceis de ignorar.
O Índice de Justiça Econômica Racial, conhecido pela sigla IJER, é um levantamento que mede como raça e gênero influenciam o acesso de diferentes grupos da população brasileira a renda, educação, emprego e moradia. Em termos simples: ele mostra quem tem mais e quem tem menos no Brasil, separando os dados por cor de pele e sexo. O índice foi divulgado pela Fundação Grupo Volkswagen em parceria com o Fundo Agbara, instituição voltada ao apoio de mulheres negras no Brasil, e analisou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2016 e 2023.
Por que esse estudo importa agora? Porque ele cobre um período de sete anos que inclui crises econômicas, a pandemia de Covid-19 e uma posterior recuperação. Se algum momento seria capaz de embaralhar as posições na pirâmide social brasileira, seria esse. Mas, como mostram os dados reportados pelo g1.globo.com, a estrutura de desigualdade permaneceu praticamente inalterada ao longo de todo o período.
O que os números dizem exatamente? Em 2016, a renda domiciliar per capita — ou seja, o valor médio de renda por pessoa dentro de um domicílio — das mulheres negras era de R$ 862,98. No mesmo ano, a renda dos homens brancos chegava a R$ 1.821,55. Isso significa que, já naquele ano, uma mulher negra vivia com menos da metade do que um homem branco tinha disponível para si.
Em 2023, a diferença se manteve quase idêntica em proporção: mulheres negras registraram renda domiciliar per capita de R$ 1.191,66, enquanto homens brancos chegaram a R$ 2.381,43. Ou seja, a renda de ambos os grupos cresceu em valores absolutos — o que é uma boa notícia —, mas a distância entre eles ficou praticamente no mesmo lugar. Em termos práticos, a mulher negra brasileira segue recebendo, em média, cerca de 50% do que recebe um homem branco.
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