O Brasil deu um passo histórico no comércio internacional nesta sexta-feira, 1º de maio de 2025, com a entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A expectativa é animadora: a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) projeta que o país poderá ampliar suas exportações em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência do tratado.
A estimativa foi divulgada pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, e se baseia em 543 produtos identificados com maior potencial de ganho imediato. Esses itens fazem parte de um universo muito maior: cerca de 5 mil produtos do Mercosul passam a ter tarifa zerada a partir desta data, representando uma mudança significativa nas condições de acesso ao mercado europeu para empresas brasileiras e sul-americanas.
Na prática, aproximadamente 54% das exportações do bloco Mercosul passam a contar com tarifa zero para entrar na Europa. Do lado europeu, cerca de 10% dos produtos do continente terão o mesmo benefício ao acessar o mercado sul-americano, evidenciando a assimetria proposital no ritmo de abertura — favorável aos países em desenvolvimento do bloco.
Entre os produtos com maior potencial de impulsionar as vendas externas brasileiras estão itens variados e estratégicos: mel, uvas, geradores elétricos, aeronaves, motores e couro. A diversidade dessa lista demonstra que os ganhos do acordo não se restringem ao agronegócio, mas alcançam também a indústria de transformação e o setor de manufaturados de alto valor agregado.
O setor aeronáutico merece destaque especial. Com a eliminação das tarifas, o segmento passa a ter acesso a um mercado estimado em cerca de US$ 16 bilhões na Europa. Para a indústria aérea brasileira, que já é reconhecida internacionalmente pela competitividade de seus produtos, essa abertura representa uma oportunidade concreta de expansão de participação de mercado em um segmento altamente competitivo e lucrativo.
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