Você já se perguntou qual setor da indústria brasileira mais emprega trabalhadores? Segundo a Pesquisa Industrial Anual: Empresa e Produto de 2024, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a resposta é a fabricação de produtos alimentícios. Essa atividade empregou 2,1 milhões de pessoas no ano passado, consolidando-se como a principal geradora de postos de trabalho dentro da indústria nacional.
A Pesquisa Industrial Anual (PIA) é um levantamento feito periodicamente pelo IBGE para mapear o desempenho das empresas industriais no Brasil. Ela mede variáveis como pessoal ocupado, receitas, custos e o chamado Valor de Transformação Industrial (VTI) — que é, em termos simples, a riqueza efetivamente gerada pela atividade produtiva, calculada pela diferença entre o valor bruto do que foi produzido e os custos das operações. Em outras palavras, é o quanto a indústria agrega de valor ao que transforma.
Por que esses dados importam agora? Porque eles oferecem um retrato completo do mercado de trabalho industrial brasileiro em 2024, ano em que o total de pessoal ocupado nas empresas industriais chegou a 8,7 milhões de pessoas, distribuídas em 358,4 mil empresas. Compreender onde estão concentrados os empregos ajuda a entender tanto a estrutura produtiva do país quanto as tendências de geração de renda para trabalhadores e famílias.
Além da fabricação de alimentos, outras atividades também se destacaram no levantamento. A confecção de artigos de vestuário e acessórios empregou 551,8 mil pessoas, enquanto a fabricação de produtos de metal — exceto máquinas e equipamentos — absorveu 517,1 mil trabalhadores. A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias apareceu logo em seguida, com 491,9 mil empregados. Esses números mostram que, embora a indústria alimentícia seja disparada a maior empregadora, outros segmentos tradicionais da manufatura também têm peso relevante no mercado de trabalho.
Um dado estrutural importante é que as indústrias de transformação — aquelas que convertem matérias-primas em produtos acabados ou semiacabados, como alimentos, roupas, veículos e metais — concentraram 97,1% do total de pessoal ocupado no setor industrial. Isso significa que a grande maioria dos empregos industriais no Brasil está nesse segmento, e não em atividades como extração mineral ou produção de utilidades (energia e água, por exemplo).
O que esses números significam para o bolso dos trabalhadores? Em conjunto, o pessoal ocupado nas indústrias recebeu R$ 481,1 bilhões em salários, retiradas e outras formas de remuneração ao longo de 2024. Esse montante circula pela economia, sustenta o consumo das famílias e alimenta outros setores, como comércio e serviços. Ou seja, a saúde do emprego industrial tem efeito em cadeia sobre toda a atividade econômica do país.
Do ponto de vista financeiro das próprias empresas, a receita bruta total do setor industrial alcançou R$ 8,8 trilhões em 2024. A maior parte desse valor, R$ 7,4 trilhões, veio da venda de produtos e serviços industriais. Outros R$ 695,9 bilhões foram obtidos com revendas e serviços não industriais, e R$ 706,0 bilhões corresponderam a demais receitas. Já a receita líquida de vendas (RLV) — que desconta impostos sobre vendas, devoluções e descontos incondicionais da receita bruta — ficou em R$ 6,8 trilhões.
E o Valor de Transformação Industrial, aquele indicador de riqueza gerada? Chegou a R$ 2,6 trilhões, sendo que 88,8% desse montante tiveram origem nas indústrias de transformação. O gerente de Análise e Disseminação da pesquisa, Marcelo Miranda, descreveu o VTI como a variável que representa a riqueza efetivamente gerada pela atividade industrial, reforçando a importância desse indicador para avaliar o real peso da indústria na economia brasileira.
Como isso afeta você diretamente? Se você é consumidor — e todos somos —, a indústria alimentícia está presente em praticamente tudo que vai à sua mesa. A liderança desse setor no emprego industrial reflete não apenas a demanda interna elevada por alimentos processados, mas também a robustez do agronegócio brasileiro como fornecedor de matérias-primas. Se você é trabalhador ou empreendedor, os dados indicam onde a economia industrial concentra sua força de trabalho e, portanto, onde há maior densidade de oportunidades.
O levantamento do IBGE reforça um padrão já observado em anos anteriores: a indústria de alimentos ocupa posição estratégica na estrutura produtiva brasileira, beneficiada tanto pelo tamanho do mercado interno quanto pela vocação exportadora do país. À medida que o Brasil avança em políticas de reindustrialização e incentivos ao setor produtivo — como sinalizado por programas governamentais em curso —, o desempenho dessas atividades tende a ser um termômetro relevante do ritmo de crescimento e da qualidade dos empregos gerados pela economia como um todo.
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