A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 235,6 bilhões em agosto deste ano, informou nesta terça-feira (22) a Receita Federal. O valor representa um aumento real de 8,25% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 217,6 bilhões, já corrigido pela inflação. Esse é o maior resultado já registrado para meses de agosto desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995 — ou seja, em 32 anos.

O recorde na arrecadação está relacionado ao crescimento da economia brasileira e aos aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além da alta no preço do petróleo. O desempenho reforça a capacidade de o governo ampliar receitas em um cenário de atividade econômica aquecida, ainda que parte expressiva do avanço venha de mudanças tributárias recentes.

Entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a alta na tributação de fundos exclusivos, voltados à alta renda, e das chamadas offshores, que são investimentos no exterior. Também houve mudanças na tributação de incentivos concedidos por estados, com impacto sobre subvenções, além do aumento de impostos sobre combustíveis realizado em 2023 e mantido desde então. A reoneração gradual da folha de pagamentos e o fim de benefícios para o setor de eventos, o Perse, também ajudaram a elevar a receita.

Outro fator relevante foi o início da taxação das bets, as apostas esportivas virtuais, que passaram a contribuir com o caixa do governo. O aumento do IOF sobre crédito e câmbio também ampliou a arrecadação, assim como a alta na tributação dos juros sobre capital próprio. Essas medidas, somadas, criaram um efeito consistente sobre as receitas federais ao longo dos últimos meses.

Com o preço do petróleo mais alto, reflexo da guerra entre Estados Unidos e Irã, as receitas do governo com o produto também subiram, incluindo royalties e participações na extração. Além disso, o Executivo estabeleceu uma taxação extra sobre exportações, o que ampliou ainda mais o ingresso de recursos. Esse conjunto de fatores explica, em grande parte, o desempenho recorde de agosto.

Nos oito primeiros meses deste ano, a arrecadação federal somou R$ 2,11 trilhões sem correção pela inflação. Em valores corrigidos pela variação dos preços, o total chegou a R$ 2,13 trilhões de janeiro a agosto, o que representa um crescimento real de 7,12% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 1,98 trilhão. Esse montante também é o maior já registrado para o período na série histórica.

O resultado acumulado reforça a tendência de recuperação das contas públicas, ainda que o governo enfrente desafios para manter o ritmo de crescimento das receitas. A base de comparação elevada, somada a possíveis mudanças no cenário econômico, pode influenciar os próximos meses. Ainda assim, o desempenho de agosto consolida um padrão de alta que vem sendo observado ao longo do ano.

Especialistas em contas públicas costumam avaliar que o crescimento da arrecadação é positivo para o ajuste fiscal, mas alertam para a qualidade das receitas, já que parte significativa do avanço vem de medidas pontuais e mudanças tributárias. O desafio é transformar esse ganho em sustentabilidade fiscal de longo prazo, com controle de gastos e estímulo ao crescimento econômico de forma consistente.

Historicamente, a arrecadação federal tende a apresentar resultados mais fortes em períodos de atividade econômica aquecida e inflação controlada, já que a base de cálculo dos tributos cresce de forma proporcional. O recorde de agosto, no entanto, chama atenção pela magnitude, superando marcas anteriores para o mês. Isso indica que as medidas implementadas pelo governo estão surtindo efeito, embora o cenário externo e as tensões geopolíticas também tenham contribuído, especialmente no caso do petróleo.

Para os próximos meses, a expectativa é de que a arrecadação continue em trajetória de alta, caso a economia mantenha o ritmo e as receitas extraordinárias não se dissipem. No entanto, a comparação com o ano passado tende a ficar mais desafiadora, o que exigirá atenção do governo para evitar surpresas negativas no caixa. O desempenho de agosto, de todo modo, já representa um marco importante para as finanças públicas em 2025.