James Murdoch, filho do magnata Rupert Murdoch e ex-CEO da Fox Corporation, está em negociações avançadas para adquirir a revista New York e a divisão de podcasts do grupo Vox Media. A informação foi publicada pelo Wall Street Journal e rapidamente repercutiu no setor de comunicação, levantando debates sobre o futuro da mídia digital nos Estados Unidos.
Segundo fontes ligadas ao assunto, a transação ainda não está concluída e pode não se efetivar, mas as conversas já estão em andamento de forma concreta. A negociação estaria sendo conduzida por meio da Lupa Systems, empresa de investimentos fundada pelo próprio James Murdoch em 2019, juntamente com sua esposa, Kathryn Murdoch.
A Lupa Systems já acumula participações em iniciativas culturais e jornalísticas ao redor do mundo, o que torna a possível aquisição coerente com a estratégia do casal de ampliar sua presença no setor de mídia e conteúdo de qualidade. Caso o negócio avance, representará mais um passo na construção de um portfólio de mídia independente do clã Murdoch tradicional, do qual James se afastou publicamente nos últimos anos.
A revista New York foi fundada em 1968 e é considerada uma das publicações mais influentes dos Estados Unidos, conhecida por seu jornalismo cultural, político e de comportamento. Em 2019, ela foi adquirida pela Vox Media e passou a integrar um grupo digital em expansão. Além da edição impressa quinzenal, a publicação mantém forte presença online por meio de marcas derivadas bastante populares, como The Cut — voltada para moda, beleza e comportamento feminino —, Vulture — dedicada a entretenimento e crítica cultural — e Grub Street, que cobre gastronomia e cultura alimentar.
O segundo ativo em negociação é a divisão de podcasts da Vox Media, que reúne produções apresentadas por jornalistas, acadêmicos e personalidades públicas. O formato de podcast vem crescendo em audiência e relevância nos últimos anos, atraindo ouvintes engajados e anunciantes dispostos a investir em publicidade segmentada. Mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor de mídia digital, o interesse em áudio sob demanda segue em alta.
A possível venda acontece em um momento especialmente difícil para as empresas de mídia digital americanas. Nos últimos anos, o setor tem sofrido com um mercado publicitário mais fraco, com mudanças nos algoritmos dos mecanismos de busca — como o Google — que reduziram o tráfego orgânico para sites jornalísticos, e com o aumento da concorrência de plataformas de redes sociais e criadores de conteúdo independentes.
Grupos como Vox Media, BuzzFeed e Vice, que chegaram a ser vistos como o futuro da mídia digital, foram obrigados a rever suas estratégias, cortar custos e, em alguns casos, encerrar operações. O BuzzFeed chegou a fechar sua divisão de notícias, o BuzzFeed News, em 2023. A Vice declarou falência no mesmo ano. A Vox Media, por sua vez, tem buscado maneiras de se reestruturar e otimizar seu portfólio.
Caso a venda da New York e dos podcasts se concretize, a Vox Media deve manter outros veículos relevantes sob seu guarda-chuva, como The Verge — referência em cobertura de tecnologia —, SB Nation — voltado para esportes — e Thrillist, entre outros. Esses ativos não fazem parte das negociações em curso com James Murdoch.
A trajetória de James Murdoch é marcada por uma ruptura gradual com os valores editoriais associados ao império de comunicação de seu pai. Ele se demitiu do conselho da News Corp em 2020, citando discordâncias editoriais. Desde então, tem se posicionado publicamente como um investidor interessado em jornalismo independente, diversidade de vozes e causas climáticas — um caminho distinto do trilhado pela Fox News e pelos demais veículos do grupo familiar.
A Lupa Systems, sua holding de investimentos, já apoiou iniciativas de mídia e tecnologia em diferentes países, e a possível aquisição da New York Magazine seria um dos movimentos mais visíveis e simbólicos do empresário até agora. A publicação tem peso histórico e reconhecimento de marca que vão muito além de seus números de circulação.
O desfecho dessa negociação ainda é incerto, mas o interesse de um nome ligado ao universo Murdoch em um veículo de prestígio como a New York já é, por si só, um sinal dos tempos: em um mercado de mídia em transformação acelerada, até os ativos mais consolidados estão à procura de novos donos e modelos de negócios sustentáveis.
Fonte: G1 / Globo, com informações do Wall Street Journal. Disponível em: g1.globo.com
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