O PIX consolidou sua posição de liderança entre os meios de pagamento digitais do Brasil em 2025, registrando 30,1 bilhões de transações ao longo do ano — um crescimento de 20% em relação ao exercício anterior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 26 de junho, pela Pesquisa de Tecnologia Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entidade que reúne as principais instituições financeiras do país e realiza anualmente o levantamento sobre o comportamento tecnológico do setor bancário brasileiro.
O volume registrado pelo PIX é quase três vezes superior ao de pagamento de contas, que somou 9,9 bilhões de transações no mesmo período. Mesmo assim, o pagamento de contas também apresentou expansão expressiva, com alta de 99% em relação a 2024, demonstrando que a digitalização dos serviços financeiros avança em múltiplas frentes simultaneamente e alcança uma parcela cada vez maior da população brasileira.
Entre os demais meios de pagamento monitorados pela pesquisa da Febraban, o cartão de crédito cresceu 2% no período, totalizando 2,14 bilhões de transações, enquanto o cartão de débito avançou 20%, chegando a 60 milhões de operações. Na contramão do movimento geral, as transferências bancárias convencionais — incluindo o TED, sigla para Transferência Eletrônica Disponível, modalidade tradicional de movimentação entre contas — recuaram 8%, encerrando o ano com 960 milhões de operações. A queda reforça a percepção de que o PIX, criado pelo Banco Central do Brasil e lançado em novembro de 2020, tem substituído progressivamente os instrumentos de transferência mais antigos, por oferecer disponibilidade a qualquer hora do dia e sem custo para pessoas físicas na maior parte dos casos.
O estudo também revela uma mudança estrutural no comportamento dos usuários de serviços bancários: 83% das transações financeiras dos brasileiros já são realizadas por canais digitais, como aplicativos de celular e internet banking — a versão eletrônica do atendimento bancário acessada pelo navegador. Apenas pelo telefone celular, o volume de operações cresceu 169% nos últimos cinco anos, alcançando 187,5 bilhões de transações. O dado evidencia que o smartphone se tornou o principal canal de relacionamento entre os clientes e suas instituições financeiras, superando agências físicas e terminais de autoatendimento.
No campo das prioridades tecnológicas das instituições financeiras, a pesquisa da Febraban aponta a cibersegurança — conjunto de práticas e tecnologias voltadas à proteção de sistemas e dados contra ataques digitais — no topo das preocupações: a área foi citada por 100% dos bancos participantes do levantamento. Na sequência, aparecem computação em nuvem e inteligência artificial generativa, ambas mencionadas por 84% das instituições, seguidas por inteligência artificial convencional (80%), blockchain — tecnologia de registro distribuído de dados — (32%) e computação quântica (8%), campo que combina conceitos de física, matemática e ciência da computação para processar informações de forma radicalmente diferente dos computadores tradicionais.
Apesar do interesse declarado, a pesquisa indica que cerca de 60% das instituições financeiras ainda se encontram nas fases iniciais de adoção da inteligência artificial. No caso específico da inteligência artificial generativa — capaz de criar textos, imagens e outros conteúdos de forma autônoma —, esse percentual é ainda mais elevado, sinalizando um momento de experimentação e desenvolvimento de casos de uso práticos dentro do setor. O levantamento projeta potencial significativo de expansão dessas tecnologias nos próximos anos.
A trajetória de crescimento do PIX e a digitalização acelerada dos serviços bancários refletem uma transformação de longo prazo no sistema financeiro brasileiro, impulsionada por regulação favorável, penetração crescente de smartphones e ampliação do acesso à internet. Com o Banco Central avançando em novas funcionalidades para o sistema de pagamentos instantâneos — como o PIX por aproximação e o PIX parcelado —, a expectativa é de que a modalidade continue ganhando espaço frente a instrumentos tradicionais nos próximos ciclos, aprofundando a digitalização financeira no país.
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