O movimento é gradual, mas já se faz sentir nas ruas e nos elevadores das grandes cidades brasileiras: o escritório está voltando. Depois de anos em que o home office se tornou a norma para milhares de empresas durante a pandemia de Covid-19, as organizações estão puxando seus colaboradores de volta ao ambiente corporativo — e os dados confirmam essa tendência.
Um estudo realizado pela WeWork em parceria com a Offerwise, divulgado em maio de 2026, ajuda a dimensionar essa transformação no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa, 63% dos profissionais entrevistados já trabalham de forma presencial. No entanto, para a grande maioria deles — 79% — essa não é uma escolha, mas uma exigência imposta pelas empresas. Quando a decisão fica a cargo do próprio trabalhador, apenas 42% optariam por trabalhar exclusivamente no escritório. Os demais preferem modelos híbridos ou totalmente remotos.
Esse desencontro entre o que as empresas exigem e o que os profissionais desejam está gerando tensões visíveis no mercado. O caso do Nubank é emblemático: quando a fintech anunciou o fim do modelo 100% remoto, trabalhadoras e trabalhadores reagiram com uma carta aberta, citando impactos concretos como a necessidade de mudar de cidade, reorganizar rotinas familiares e arcar com custos adicionais que o retorno ao presencial impõe.
No setor imobiliário corporativo, a mudança também deixa rastros. Segundo dados da consultoria JLL, a taxa de vacância de imóveis corporativos em São Paulo atingiu 13,4% no primeiro trimestre de 2026 — o menor nível em 14 anos. Isso significa que os escritórios estão sendo ocupados novamente, pressionando a oferta e sinalizando que as empresas estão de fato apostando no retorno físico como estratégia de longo prazo.
No mercado de trabalho, a tendência se repete. Plataformas de recrutamento como a Gupy apontam que vagas remotas estão diminuindo, enquanto oportunidades presenciais e híbridas avançam e já superam numericamente as posições totalmente remotas. Para quem busca emprego com flexibilidade geográfica, o cenário está ficando mais restrito.
Mas o que leva as empresas a insistirem no presencial? Um levantamento da Mercer Brasil oferece algumas respostas. De acordo com o estudo, 76% dos gestores relatam insegurança em relação à produtividade dos funcionários no trabalho remoto. Além disso, 66% apontam o excesso de reuniões virtuais como um problema recorrente, e muitos destacam dificuldades na gestão de equipes e na manutenção da cultura organizacional à distância. Para esses líderes, o ambiente físico compartilhado ainda é visto como o principal catalisador de colaboração, inovação e engajamento.
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