O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, uma proibição abrangente à importação de laticínios, bebidas alcoólicas e motocicletas do Canadá. A medida, que entra em vigor em 29 de setembro de 2026, foi divulgada em comunicado oficial no site da Casa Branca e representa uma significativa escalada na disputa comercial entre os dois países vizinhos. A decisão surge em meio a tensões comerciais crescentes, que já haviam se intensificado em julho, quando Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre determinados produtos canadenses, implementada em agosto, sob a alegação de que o Canadá discrimina o comércio dos Estados Unidos no setor de laticínios.

Segundo o comunicado da Casa Branca, a proibição recai sobre a maior parte das bebidas alcoólicas canadenses, incluindo cerveja, diversos tipos de vinho, uísque, bourbon, rum, vodca, vermute, tequila, mezcal e conhaque. No segmento de laticínios, estão incluídos na proibição a proteína de soro de leite (whey), melaço invertido, melaço de cana e cerveja sem álcool. As restrições são um reflexo direto da insatisfação do governo americano com as práticas comerciais canadenses, que os Estados Unidos consideram protecionistas, especialmente no setor lácteo, historicamente um ponto de atrito nas negociações bilaterais.

O Canadá, por sua vez, já havia retaliado comercialmente contra os Estados Unidos antes mesmo do anúncio da proibição. Nesta terça-feira, o governo canadense anunciou e colocou em vigor tarifas de 15%, 20% e 50% sobre a importação de diversos produtos americanos. As cobranças incluem itens como aço, alumínio, laticínios e eletrodomésticos, visando setores estratégicos da economia americana. A reação canadense foi acompanhada de uma declaração do primeiro-ministro Mark Carney, que, em um vídeo publicado no YouTube, afirmou que o país “tem tudo que precisa para mudar de direção e prosperar”, sinalizando uma postura de resistência e autoconfiança.

A escalada comercial atual ocorre após o fracasso de uma série de rodadas de negociações entre os governos de Donald Trump e Mark Carney ao longo do mês de agosto. O impasse nas conversas, que visavam encontrar um terreno comum para as práticas comerciais entre os dois países, levou à adoção de medidas mais drásticas por parte dos Estados Unidos, com a proibição anunciada nesta terça-feira. A decisão de Trump representa uma ruptura com as tentativas de negociação, indicando uma abordagem mais unilateral para resolver as queixas comerciais americanas.

Além das proibições e tarifas já mencionadas, a Casa Branca também detalhou que diversos tipos de queijo foram adicionados a uma lista de produtos sujeitos a uma tarifa de 50%, mas não foram totalmente proibidos. Isso significa que, embora alguns laticínios canadenses possam continuar entrando nos Estados Unidos, eles enfrentarão um custo adicional significativo, o que pode reduzir sua competitividade no mercado americano. A medida aponta para uma estratégia de pressão múltipla, combinando proibições diretas com aumentos de custos para outros itens.

A lista de restrições americanas não se limita a alimentos e bebidas. Produtos de papel, alumínio, madeira, móveis, iluminação e outros itens também foram incluídos nas novas medidas comerciais, ampliando o escopo da disputa para além dos setores tradicionais de conflito. Essa diversificação das restrições sugere que o governo Trump está disposto a usar todo o seu arsenal comercial para obter concessões do Canadá, visando setores econômicos que podem ter impacto político e eleitoral em ambos os lados da fronteira.

A disputa comercial entre Estados Unidos e Canadá tem raízes profundas, remontando a décadas de negociações sobre o acesso ao mercado de laticínios, que o Canadá protege com um sistema de gestão de oferta. Os Estados Unidos sempre argumentaram que esse sistema viola acordos comerciais e prejudica os produtores americanos. A atual administração republicana, sob Trump, adotou uma postura mais agressiva, utilizando tarifas e agora proibições para forçar uma reabertura do debate, mesmo que isso signifique um confronto direto com um dos principais parceiros comerciais dos EUA.

A escalada de tarifas e proibições já começou a gerar incertezas nos setores afetados. Empresas americanas que dependem de insumos canadenses, como a indústria de móveis que utiliza madeira do Canadá, e produtores de laticínios que processam soro de leite, podem enfrentar aumentos de custos e interrupções na cadeia de suprimentos. Do lado canadense, setores como a produção de motocicletas e destilarias de uísque, que têm forte presença no mercado americano, deverão buscar novos mercados ou redirecionar suas vendas para compensar as perdas no país vizinho.

O desdobramento esperado deste novo capítulo na guerra comercial norte-americana é a intensificação das tensões diplomáticas e econômicas entre os dois países, com potencial para afetar outros acordos e parcerias no continente. Analistas de comércio internacional observam que, embora medidas como a proibição de importação sejam raras entre parceiros comerciais do porte dos EUA e Canadá, elas podem se tornar mais comuns em um cenário de crescente protecionismo global. Sem novas negociações em perspectiva, o caminho mais provável é de uma disputa prolongada, com impactos para consumidores e empresas de ambos os lados da fronteira.