O banco Safra elevou o preço-alvo das ações da Nvidia, listadas sob os códigos NVDC34 (BDR) e NVDA (Nasdaq), de US$ 320 para US$ 350. Segundo a reportagem do Money Times, essa revisão indica um potencial de valorização de aproximadamente 52% em relação ao preço atual, que está em torno de US$ 230,36. O movimento ocorre em um momento de intensa discussão sobre a sustentabilidade do rali das ações ligadas à inteligência artificial, mas o Safra enxerga uma oportunidade concreta baseada no aumento da demanda.

Embora o mercado ainda registre questionamentos de investidores sobre a possibilidade de uma bolha de IA, o banco destaca fundamentos sólidos. A Nvidia tem se consolidado como fornecedora central de chips para data centers e computação de alto desempenho, áreas que impulsionam a revolução tecnológica atual. A demanda por seus produtos segue aquecida, alimentada por empresas de tecnologia que expandem suas capacidades de processamento para treinar e rodar modelos de linguagem e outras aplicações generativas.

O novo preço-alvo de US$ 350 representa uma aposta clara na continuidade desse ciclo. Para o Safra, mesmo com o ceticismo de alguns participantes do mercado, as perspectivas de receita e lucro da Nvidia justificam a reavaliação. O banco considera que o mercado ainda não precificou totalmente o potencial de crescimento impulsionado pela adoção da IA em setores como saúde, finanças, automotivo e entretenimento, o que amplia o horizonte para a companhia.

No cenário macro, a Nvidia se beneficia de uma tendência estrutural: a digitalização acelerada da economia global. Grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Google e Amazon, estão investindo bilhões de dólares em infraestrutura de nuvem e IA, o que gera uma demanda consistente por GPUs da Nvidia. A empresa também expande sua presença em mercados como China e Europa, adaptando seus produtos às regulamentações locais sem perder competitividade.

A revisão do preço-alvo pelo Safra não é um fato isolado. Nos últimos meses, vários bancos e corretoras ajustaram suas estimativas para cima, refletindo os resultados trimestrais robustos e as projeções otimistas da diretoria executiva. As ações da Nvidia acumulam alta significativa no ano, mas a nova meta de US$ 350 sugere que ainda há espaço para apreciação, especialmente se a empresa mantiver o ritmo de inovação e captura de mercado.

Do ponto de vista técnico, analistas apontam que o suporte em torno de US$ 210-220 tem se mostrado consistente, enquanto a resistência imediata está nos US$ 240-250. A superação desse nível poderia abrir caminho para os US$ 350, conforme indicado pelo Safra. No entanto, volatilidade pode surgir de notícias sobre regulação de IA nos EUA e na União Europeia, além de movimentos da concorrência, especialmente da AMD e de startups de semicondutores.

Para investidores de longo prazo, a recomendação do Safra reforça a tese de que a Nvidia é um dos nomes centrais para exposição ao tema inteligência artificial. A empresa não apenas vende hardware, mas também oferece um ecossistema de software, como o CUDA, que fideliza clientes e dificulta a migração para concorrentes. Essa vantagem competitiva é um dos pilares da confiança do banco na valorização futura.

É importante lembrar que, historicamente, ciclos de inovação tecnológica geram correções de preço, e a IA não deve ser exceção. Porém, a trajetória da Nvidia em ciclos anteriores — de jogos a mineração de criptomoedas e agora IA — mostra capacidade de adaptação. O Safra aposta que a empresa está no início de uma nova fase de crescimento, e não no pico de um ciclo especulativo.

O relatório do banco não detalha os múltiplos específicos utilizados para chegar ao novo preço-alvo, mas menciona que a análise considerou a aceleração das receias e a expansão de margens. Com a demanda por chips de IA crescendo em ritmo exponencial, a Nvidia deve continuar a se beneficiar de contratos de longo prazo com provedores de nuvem e governos que buscam soberania digital.

Para os próximos trimestres, o desdobramento esperado é que a Nvidia mantenha guidance otimista, impulsionada por lançamentos como a arquitetura Blackwell e a expansão de parcerias. O aumento do preço-alvo pelo Safra, portanto, sinaliza que, apesar das dúvidas do mercado, os fundamentos da companhia permanecem robustos e alinhados com a transformação digital global. Investidores devem monitorar os próximos balanços para confirmar a tese de crescimento sustentado.