O Tesouro Reserva, novo título público lançado pela Secretaria do Tesouro Nacional em parceria com a B3 e o Banco do Brasil, alcançou R$ 2 bilhões em aplicações no primeiro mês de funcionamento. A informação foi divulgada pelo secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (12). A modalidade foi criada com foco no pequeno investidor e em quem deseja montar uma reserva de emergência, com aplicação mínima de R$ 1 e disponibilidade de negociação em qualquer horário, todos os dias da semana.

O secretário Daniel Leal classificou o desempenho inicial do produto como um sucesso. “O Tesouro Reserva é um sucesso. Já temos mais de R$ 2 bilhões investidos. Aumentamos também o número de investidores, que é parte dessa democratização”, afirmou Leal, conforme declaração divulgada à imprensa. Segundo o secretário, o crescimento no número de investidores é um dos objetivos centrais do programa, alinhado a uma agenda de democratização do acesso ao mercado financeiro brasileiro.

O Tesouro Reserva oferece rendimento indexado à taxa Selic — a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central e utilizada como referência para inúmeros investimentos de renda fixa no país. Uma das características que distingue o produto de outros títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto é a ausência de marcação a mercado, mecanismo contábil que atualiza diariamente o valor de um ativo conforme as condições do mercado e que, em alguns casos, pode gerar a percepção de perda temporária para o investidor. “Não tem volatilidade ou marcação a mercado, o que tira a percepção de que se poderia estar perdendo alguma coisa. Aqui, o investidor só vai ganhar”, destacou Leal.

Atualmente, o Tesouro Reserva está disponível apenas para correntistas do Banco do Brasil, uma das instituições parceiras do lançamento. A Secretaria do Tesouro Nacional indicou que outros bancos deverão passar a oferecer o produto em breve, ampliando o alcance do título para clientes de diferentes instituições financeiras. A acessibilidade tecnológica do produto — que pode ser acessado a qualquer momento do dia e da semana — é apontada como um diferencial relevante para públicos que ainda não têm o hábito de investir em títulos públicos.

Para ampliar ainda mais o alcance do Tesouro Direto como um todo, a Secretaria do Tesouro Nacional e a B3 anunciaram uma parceria com a jogadora de futebol Marta, considerada um dos maiores ídolos esportivos do Brasil e eleita múltiplas vezes a melhor jogadora de futebol feminino do mundo. A atleta atuará como embaixadora da plataforma, com o objetivo de atrair novos investidores para os títulos disponíveis, incluindo o Tesouro Reserva e o Tesouro Selic. “A Marta é um ícone, um dos maiores ídolos que o Brasil já teve como atleta, pessoa e mulher. Isso vai ajudar a população, porque conseguir alavancar o Tesouro Direto vai naturalmente resultar em mais poupança e mais economia para as pessoas”, explicou Leal.

A estratégia de usar personalidades do esporte e da cultura popular para promover educação financeira e ampliar a base de investidores não é inédita no mercado financeiro global, mas representa uma aposta relevante no contexto brasileiro, onde parcela significativa da população ainda mantém sua reserva financeira em produtos tradicionais, como a caderneta de poupança. O Tesouro Direto, plataforma de venda de títulos públicos federais a pessoas físicas lançada em 2002, tem ampliado progressivamente sua base de investidores ao longo dos anos, e iniciativas como o Tesouro Reserva sinalizam uma nova fase voltada à inclusão de perfis com menor familiaridade com o mercado de capitais. O desempenho inicial do título sugere que há demanda reprimida por produtos de baixo risco, alta liquidez e simplicidade operacional, características que tendem a ganhar relevância em cenários de juros elevados.